Voltas a erguer-te e esperas pela próxima queda.
23/03/2009
Queda
Publicada por
Patrícia Mota
à(s)
02:54
Voltas a erguer-te e esperas pela próxima queda.
09/02/2009
Publicada por
Patrícia Mota
à(s)
16:41
Depois de tanto tempo a inventar histórias de encantar, depois de perder tanto tempo a contar mentiras, depois de tantos dias de ilusões, depois de tantas vezes me enganar, depois de tantas horas andar perdida, depois de uma vida inteira sem saber de mim, depois de todas as coisas que não fiz, depois de todas as coisas que não tive coragem de dizer. Quantas vezes são vezes suficientes para se parar de tentar?
Já podes voltar?
22/01/2009
Duas gotas
Publicada por
Patrícia Mota
à(s)
17:06
E estas aqui, onde sempre estiveste desde que começamos a falar. Não me lembro do motivo que nos juntou, nem quais foram exactamente as primeiras palavras, sei que desde então estas aqui. Nunca fomos de falar demais, nunca contamos segredos no escuro da noite, nunca partilhamos histórias daquelas que nos fazem chorar. No entanto continuas aqui. E és, talvez, a pessoa que melhor me entende. Sabes do que falo mesmo quando eu pouco falo. Sentes o que eu escrevo e, eu embalo-me nas tuas palavras antes de dormir. Somos feitos da mesma matéria.
Somos pequenos demais para o turbilhão de coisas que o mundo engloba. Choramos muito. E, acordamos todos os dias a pensar que vai ser um dia diferente, mesmo que vamos ao mesmo cafe, mesmo que leiamos os mesmos livros, que nunca acabamos, mesmo que sorriamos para as mesmas pessoas, mesmo que cheguemos a casa de mãos a abanar, como sempre. Voltamos a dormir e a pedir um dia diferente amanha. E, acordamos sempre num dia diferente que acaba por ser igual.
E somos diferentes do resto do mundo que nos parece todo igual e, somos diferentes por nos acharmos diferentes, quando toda a gente nos acha igual. Sofremos muito, porque no fundo gostamos de sofrer. Vivemos a tropeçar nas nossas asneiras e dizemos que o fazemos de proposito. Seguimos sempre o caminho mais difícil porque não sabemos ser fáceis. Vivemos a espera do príncipe encantado, num cavalo branco que sabemos que não vem. E sonhamos muito, sonhamos demais. E choramos mais ainda por sabermos que somos pequenos demais para realizar os nossos sonhos.
Estás na parte de dentro do que escrevo, estas do lado de cá do que sinto e, é por dentro, onde nos tocamos, que somos iguais. E, as coisas todas que não te digo, as palavras todas que poupo em não falar contigo é só por saber que vives do lado de dentro de mim, onde sei que me conheces de cor e, onde o silencio é a minha dor. Tu que sentes o mesmo que eu, tu que estas no avesso do que sou, és a parte de mim que não quero partilhar.
Somos duas gotas num mar rabugento.
[Tu sabes quem és]
20/01/2009
Publicada por
Patrícia Mota
à(s)
02:48
Eu fiquei imóvel, no canto onde me deixaste. Não me lembro de pestanejar. Não me lembro de chorar. Sei que fez Sol e, depois chuva. Sei que o dia se fez noite e a noite teve fim. E eu fiquei lá quieta, meio amarrotada, com a cabeça encostada aos joelhos. Não levantei a cabeça a tempo de te ver partir, por isso permaneci na esperança que ainda lá estivesses, para sempre, como sempre dissemos que seria.Eu estava lá, no canto onde me deixaste, quieta em silêncio. E foi a tua mão a amansar-me os cabelos que me fez tremer. Era o teu cheiro de novo a invadir-me os sentidos. Permaneci, ainda assim, quieta, imóvel, sem pestanejar, com a cabeça encostada aos joelhos sem te conseguir ver.
Sentaste-te encostado a mim. Encostaste a cabeça aos joelhos e, esperamos. Voltou a fazer-se noite e, frio e, voltou o Sol e, depois a chuva. Não pestanejamos.
Quando te olhei finalmente e, tu fixaste os teus olhos em mim, lembrei-me das vezes todas em que te pedia para ficares acordado só para te poder olhar nos olhos, em silencio. Lembrei-me das vezes todas que me abraçavas contra o teu peito e quase me sufocavas por não saberes fazer melhor. Lembrei-me das noites que chorei no teu colo. E daquelas noites em que abriste a tua alma a mim, mesmo de olhos fechados. Lembrei-me das vezes todas em que os teus lábios quentes me calavam as dores. Lembrei-me das vezes todas em que as tuas mãos me impediram de cair.
Voltaste-te a levantar, passaste a tua mão no meu cabelo e, voltaste a partir. Desta vez tinha a cabeça levantada e, os olhos aguados conseguiram ver a tua silhueta a desaparecer no fundo da rua. Tinhas de partir e, eu só queria saber partir contigo. Mas eu... Eu fique imóvel, no canto onde me deixaste.
19/01/2009
Restos
Publicada por
Patrícia Mota
à(s)
01:54
Há restos de mim espalhados pelo chão. Em pedaços pequenos de mais para serem considerados partes de mim. São restos. Espalhados na habitual desorganização desta casa, já mais velha que os restos que os outros por cá deixaram. São restos que ficam para trás, das histórias que vivi, desde que me permiti viver. São restos meus. Restos teus. Restos do resto do mundo que passou por cá.
São pedaços de histórias, fragmentos de amores. São poemas escritos em cima do joelho. São flores secas. São cartas por enviar. São fotografias rasgadas.
São pedaços do que fui, restos do que sou.
Há restos de mim espalhados pelo chão. E, na minha tentativa quase demente de me manter solida, colo cada pedaço do que restou de mim. É desfigurado o que sobrou de mim. São restos que não se voltam a colar.
São pedaços de histórias, fragmentos de amores. São poemas escritos em cima do joelho. São flores secas. São cartas por enviar. São fotografias rasgadas.
São pedaços do que fui, restos do que sou.
Há restos de mim espalhados pelo chão. E, na minha tentativa quase demente de me manter solida, colo cada pedaço do que restou de mim. É desfigurado o que sobrou de mim. São restos que não se voltam a colar.
Procuras cá dentro onde me escondi
E eu tenho medo, confesso, de dar
O mundo onde guardo tudo o que mais quis salvar
Tu dizes que não há outra forma de ficarmos perto
Não há como saber se o caminho é o certo
Só pode voar quem arriscar cair
Só se pode dar quem arriscar sentir
A colar cada pedaço do mundo que se partiu dentro de mim
Mafalda Veiga - Abraça-me bem
17/01/2009
Xaile - Onde for o amor
Publicada por
Patrícia Mota
à(s)
01:37
Naveguei por sete mares
Naveguei, naveguei
Naufraguei nesta saudade
Renasci e voltei
Sempre foi a minha sina
Voar só em liberdade
Brilha o sol na tempestade
Naveguei, naufraguei
Não sei se fui eu
Ou o meu sonhar
Mas sei que só fui
Onde foi o amor
Talvez ainda vá
Atrás de um luar
Mas sei que só vou
Onde for o amor...
13/01/2009
Coisas que ficam por dizer...
Publicada por
Patrícia Mota
à(s)
16:50
"És o dia depois de amanha que me fará querer viver para sempre"
31/12/2008
Perfume
Publicada por
Patrícia Mota
à(s)
17:10
Pego no meu melhor perfume e espalho-o por toda a casa, directamente nas paredes. Não me esqueço de nenhum canto, porque em todos os cantos, mesmo os mais escuros, foram cantos onde te amei. Deixo o frasco de perfume, vazio, pousado em cima da nossa – perdão, da tua – cama. Desço as escadas com pouca pressa. Porque nunca tive pressa de cá chegar. Bato a porta com força moderada. É velha a porta dos nossos sonhos e, hoje, ainda não é dia de a deitar a baixo. Rodo a chave uma só vez. Deixo a casa trancada e as janelas todas fechadas. Esqueço a morada. Subo a rua ate deixar de saber onde estou. Qualquer caminho que me leve para longe de mim é um bom caminho e, só assim chegarei onde quero. E vou. Sem despedidas, porque as palavras já as gastamos todas. Sem beijos. Sem cor. Vou, vazia de nós, vazia de mim. Vou sozinha.
Quando chegas a casa abres a porta um pouco empenada, já há muito que não voltavas lá a nossa – tua – casa. Reparas que o pó se foi acumulando, algumas teias de aranha desenham sombras dançantes no tecto. Estranhas. Nunca viste a casa assim, meio abandonada, um pouco sombria ate. A medida que vais avançando ao longo do corredor sentes o meu perfume. Abres um sorriso.
Mal sabes tu que de mim, aí, resta uma sombra do que fui, um odor bolorento do meu amor por ti. Mal sabes tu que na tua prolongada ausência eu morri, aos poucos, devagar e, sem dor.
Enquanto caminho nas ruas frias da cidade que me acolheu, sinto no fundo do bolso uma chave.
Há sempre uma forma de voltar atrás. Há sempre uma maneira de regressar a casa. Vai haver um dia em que os nossos sonhos rebentam dentro de nós e eu volte a saber a morada do meu coração. Hoje é só a chave da porta que eu não sei abrir.
Quando chegas a casa abres a porta um pouco empenada, já há muito que não voltavas lá a nossa – tua – casa. Reparas que o pó se foi acumulando, algumas teias de aranha desenham sombras dançantes no tecto. Estranhas. Nunca viste a casa assim, meio abandonada, um pouco sombria ate. A medida que vais avançando ao longo do corredor sentes o meu perfume. Abres um sorriso.
Mal sabes tu que de mim, aí, resta uma sombra do que fui, um odor bolorento do meu amor por ti. Mal sabes tu que na tua prolongada ausência eu morri, aos poucos, devagar e, sem dor.
Enquanto caminho nas ruas frias da cidade que me acolheu, sinto no fundo do bolso uma chave.
Há sempre uma forma de voltar atrás. Há sempre uma maneira de regressar a casa. Vai haver um dia em que os nossos sonhos rebentam dentro de nós e eu volte a saber a morada do meu coração. Hoje é só a chave da porta que eu não sei abrir.
Se abraçasses a noite
Saberias de mim
18/12/2008
Coisas que se dizem...
Publicada por
Patrícia Mota
à(s)
23:57
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- Queres que volte amanha?
- Não.
- Então?
- Quero que fiques para sempre
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- Porque tens medo de ficar comigo?
- Porque seguras no meu coração só com uma mão e tenho medo que o deixes cair
(Olhando para as mãos vazias)
- Mas não está cá nada.
- Vês? Por isso não quero ficar contigo.
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