30/04/2011

Ainda não sei voar.

Sempre fui demasiado desequilibrada. Cai vezes demais, mas nunca me magoei muito. Nunca voei alto, mas fui sempre com pressa. Nunca tive tempo nem paciência para aprender a voar. Em vez disso fui arranjado artefactos e malabarismos para atingir o céu. Contornei o essencial. Deve ter sido ai que me perdi.
Quando te encontrei tinha os pés assentes no chão e, não creio que te tenha conseguido iludir com o meu bater de asas pouco produtivo. Não me mexi. Foste passando cada vez mais perto de mim, ate quase me tocares. Não deixaste nada para trás no teu voo tangente e, deve ter sido por isso que nunca me esqueci de ti.
Ainda não sei voar. Não sei se algum dia o saberei fazer como tu. No entanto estou mais próxima agora do céu. Mais próxima do amor.
Ainda não sei voar. Mas permaneço imóvel enquanto de vejo a balançar num céu azul muito limpo, todo teu. Permaneço e, aos poucos vou te aprendendo os gestos, vou te ganhando as manias. Com um pouco de sorte, com um pouco de ti, talvez um dia eu consiga voar.

Não sei voar, nem sei o que é o amor, mas sinto que contigo estou mais próxima do céu.

5 comentários:

  1. adorei este pequeno textinho e identifiquei-me bastante.

    Beijo,
    K*

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  2. Adorei. Adorei, porque já senti tudo isso que descreves. :$

    Off: É engraçado teres o nome Mota. *-* Porque eu também sou Mota. xD

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  3. Querida Patrícia
    Aprecio muito os teus textos alegóricos sobre a vida.
    Um beijo
    Daniel

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