O mundo não é bonito, nem feliz na sua generalidade.
A vida não é fácil, nunca ninguém disse que era. Mas também ninguém me disse que era tão difícil. A vida também não é bonita. Nem tão pouco feliz. A vida é dia. É noite. É qualquer altura onde existe ser. Onde pode ser. Onde tem de ser. A vida é morte lenta. É sorrisos. É flores. E é um montão de coisas bonitas que sem as coisas feias não seriam bonitas. E a vida é isso. É morte lenta. É o outro lado do dia sem ser noite. É a tristeza. As lágrimas. E um montão de coisas feias. A vida é tudo. E quase nada. Tão pouco que não chega a nada.
A vida é morte lenta…
Quero-me esquecer de acordar. E fingir que a noite é eterna. Que a luz se apagou infinitamente num sopro estranho que me gelou a alma.
E morrer devagar, como uma vela que chega ao fim. Sem o sol para me envergonhar. Sem medo de não acordar. Por saber que é eterna a noite, ou a cegueira, ou a falta de luz e de calor.
Vazia.
Casca vazia ou coisa nenhuma.
Fim
Fim ou nada
Tudo ou nada
Tudo e nada
Coisa vazia
Quase ninguém.